como a legalização dos cassinos pode ajudar a economia brasileira
元描述: A legalização dos cassinos no Brasil pode injetar bilhões na economia, criar empregos e aumentar a receita fiscal. Este artigo analisa o impacto econômico, casos internacionais e um modelo sustentável para o país.
O Potencial Econômico Adormecido: Cassinos no Brasil
A discussão sobre a legalização dos cassinos no Brasil é um tema complexo, frequentemente polarizado entre visões morais e oportunidades econômicas tangíveis. Enquanto o debate se arrasta no Congresso Nacional, países vizinhos como Uruguai, Argentina e Chile, além de destinos globais como Las Vegas e Macau, já consolidaram modelos que transformam o jogo em um poderoso motor de desenvolvimento. O Brasil, com seu imenso potencial turístico, uma população empreendedora e uma necessidade urgente de novas fontes de receita, permanece à margem deste mercado bilionário. Sob uma perspectiva puramente econômica, a regulamentação do setor de jogos representa muito mais do que a abertura de casas de apostas; trata-se de uma estratégia multifacetada para estimular o turismo internacional de alta renda, gerar empregos formais em cadeias produtivas extensas e criar uma nova e robusta corrente de arrecadação tributária para os cofres públicos. Ignorar esta oportunidade, como aponta o economista e consultor em políticas públicas, Dr. Fernando Costa, da Fundação Getulio Vargas, é negligenciar uma ferramenta comprovada de geração de riqueza e desenvolvimento regional, que, se bem estruturada, pode operar dentro de um rígido marco regulatório de controle e responsabilidade social.
- O mercado global de jogos e cassinos movimentou mais de US$ 450 bilhões em 2023, com crescimento anual consistente.
- O Brasil é o maior país da América Latina sem um marco legal abrangente para cassinos integrados (resorts), perdendo receita direta e indireta para destinos vizinhos.
- Um estudo encomendado pela Associação Brasileira de Turismo (ABBTUR) estima que a legalização poderia atrair inicialmente 2 milhões de turistas internacionais adicionais por ano, focados no segmento de luxo e entretenimento.
![]()
Impacto Direto: Geração de Empregos e Receita Fiscal
O impacto mais imediato e mensurável da legalização seria a criação de uma nova indústria, demandando uma força de trabalho vasta e diversificada. Diferente da percepção comum, um cassino integrado, ou “resort cassino”, é um complexo que vai muito além das mesas de roleta e caça-níqueis. Ele engloba hotelaria de alto padrão, gastronomia assinada por chefs renomados, espaços para convenções e feiras, casas de espetáculos com shows internacionais, spas e áreas de varejo de luxo. A abertura de um único empreendimento deste porte, conforme um modelo projetado para a região metropolitana de São Paulo pela consultoria LCA, poderia gerar até 8.000 empregos diretos e outros 15.000 indiretos, desde a construção civil até o fornecimento de bens e serviços. A receita fiscal seria um bônus significativo. Um imposto sobre o Giro (GGR – Gross Gaming Revenue) na casa de 15% a 20%, somado a impostos sobre consumo, renda de pessoal e lucros das empresas, poderia aportar entre R$ 15 e R$ 25 bilhões anuais aos governos federal, estaduais e municipais, recursos estes que poderiam ser direcionados por lei para áreas críticas como saúde, educação e segurança pública, seguindo o modelo bem-sucedido do estado do Nevada, nos EUA.
Casos de Sucesso Internacional e Aplicabilidade ao Cenário Brasileiro
Analisar mercados regulados oferece um roteiro valioso. Singapura, por exemplo, que legalizou os cassinos integrados em 2010 com o claro objetivo de impulsionar o turismo, hoje abriga os resorts Marina Bay Sands e Resorts World Sentosa. Eles se tornaram ícones arquitetônicos e são responsáveis por mais de 5% do PIB do país, atraindo um turista de gasto médio muito superior ao convencional. Portugal oferece um exemplo mais próximo e moderado: após a regulamentação, concentrou os cassinos em regiões específicas (como Lisboa e Estoril), integrou-os ao patrimônio histórico e cultural, e estabeleceu uma autoridade reguladora forte (SRIJ) que combate o jogo ilegal e protege os vulneráveis. Para o Brasil, um modelo híbrido parece ideal: megare resorts em polos turísticos estratégicos como Rio de Janeiro, São Paulo, Foz do Iguaçu e Nordeste (explorando sinergias com o já forte turismo de sol e mar), combinado com cassinos de menor porte em destinos já consolidados, como Gramado (RS) ou Campos do Jordão (SP). A chave, segundo a especialista em direito regulatório Dra. Ana Beatriz Lima, é a criação de uma Agência Nacional de Jogos (ANJ) autônoma, nos moldes da ANAC ou ANP, com poder de fiscalização, aplicação de pesadas multas e controle rígido das concessões.
Turismo Internacional: Atraindo o Viajante de Alto Padrão
O Brasil compete globalmente pelo turista internacional, mas frequentemente se apoia em um único produto: o turismo de natureza e praia. A legalização dos cassinos permitiria a criação de um produto turístico completo e competitivo no segmento MICE (Meetings, Incentives, Conferences and Exhibitions) e no turismo de entretenimento de alto luxo. Um complexo integrado em Copacabana, por exemplo, poderia hospedar grandes convenções internacionais durante a semana e oferecer entretenimento de nível mundial nos finais de semana, algo que hoje é feito em Las Vegas, Orlando ou Cancún. Este turista tem um gasto médio diário estimado em 3 a 4 vezes superior ao do turista tradicional. A cidade de Las Vegas, que recebe cerca de 40 milhões de visitantes anuais, é o exemplo máximo desta transformação, saindo de uma cidade no deserto para a capital mundial do entretenimento. No contexto brasileiro, isso significaria não apenas mais voos internacionais diretos, ocupação hoteleira estável e movimentação no comércio local, mas também a valorização da marca “Brasil” no exterior como um destino completo e sofisticado.
- Desenvolvimento de infraestrutura aeroportuária e de transportes nas regiões escolhidas para os resorts.
- Parcerias com cadeias hoteleiras internacionais e operadoras de turismo especializadas.
- Integração com a cultura local: shows de samba, gastronomia regional e experiências ecológicas poderiam ser parte do pacote oferecido, promovendo outros aspectos do país.
Regulamentação e Controle: Mitigando Riscos Sociais
O principal argumento contra a legalização gira em torno dos potenciais problemas sociais, como o vício em jogos e a lavagem de dinheiro. Paradoxalmente, a proibição total é a pior inimiga do controle. Na situação atual, o jogo opera na ilegalidade, sem qualquer supervisão, tributação ou mecanismo de proteção ao jogador. A regulamentação, ao contrário, traz o setor para a luz. Um marco legal robusto deve incluir, obrigatoriamente: a) Licenças rigorosas e caras para operadores, com due diligence de seus controladores; b) Sistemas eletrônicos integrados à ANJ e ao COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) para monitorar cada aposta e flagrar transações suspeitas em tempo real; c) Limites obrigatórios de depósito e perda por jogador, definidos por ele mesmo; d) Campanhas públicas financiadas pelo setor para jogar com responsabilidade, incluindo a oferta de autoexclusão e canais de ajuda; e) Destinação de uma porcentagem fixa da receita tributária para o tratamento de distúrbios relacionados ao jogo, em parceria com o SUS. O exemplo do Reino Unido, com a UK Gambling Commission, mostra que é possível ter um mercado vibrante e ao mesmo tempo um dos mais rígidos sistemas de proteção ao consumidor do mundo.
Perguntas Frequentes
P: A legalização dos cassinos não vai aumentar o número de pessoas com vício em jogo?
R: Estudos de países que regulamentaram mostram que a prevalência do vício patológico tende a se estabilizar ou até diminuir em relação ao cenário de ilegalidade, pois o problema sai das sombras e pode ser tratado. A regulamentação permite políticas públicas de prevenção, financiadas pelo próprio setor, e oferece ferramentas de controle ao jogador, inexistentes no mercado clandestino. O foco muda da repressão para a proteção e redução de danos.
P: Quem vai garantir que o crime organizado não vai se infiltrar nos cassinos legais?
R: A criação de uma Agência Nacional de Jogos forte e tecnologicamente equipada é fundamental. Com sistemas de monitoramento em tempo real, auditorias independentes e rígidos processos de concessão de licenças (que investigam a origem do capital dos investidores), o mercado legal se torna hostil ao crime. A lavagem de dinheiro é mais fácil em um ambiente ilegal e não regulado do que em um cassino onde cada centavo é rastreado eletronicamente e reportado às autoridades.
P: As cidades onde os cassinos forem instalados vão sofrer com aumento da criminalidade?
R: A experiência internacional de resorts cassinos integrados, como os de Singapura ou até os de Niagara Falls (Canadá), mostra o oposto: são polos de segurança máxima, com vigilância 24h e investimento massivo em segurança privada e pública (via impostos), que acabam por melhorar a segurança do entorno. O problema de criminalidade está associado a cassinos clandestinos e de pequeno porte, não regulados, que um marco legal justamente visa extinguir.
P: Os cassinos vão tirar dinheiro da economia local, já que as pessoas vão gastar seu dinheiro jogando?
R: Essa é uma visão simplista. Um resort cassino é um destino. O dinheiro gasto no jogo é apenas uma parte da despesa do visitante, que também paga por hospedagem, restaurantes, compras e shows. Além disso, o modelo atrai principalmente turistas externos (nacionais de outras regiões e internacionais), injetando dinheiro novo na economia local. Os empregos criados geram renda que é gasta no comércio local. O efeito líquido, quando bem planejado, é de multiplicador econômico positivo.
Conclusão: Uma Janela de Oportunidade para o Brasil
A legalização dos cassinos no Brasil não é uma aposta, mas um investimento estratégico de longo prazo, desde que conduzida com seriedade, planejamento urbano e um marco regulatório de excelência. O país tem a chance de aprender com os acertos e erros de outras nações, criando um modelo genuinamente brasileiro que priorize o desenvolvimento econômico sustentável, a geração de empregos de qualidade e a proteção social. O potencial de atrair investimentos bilionários, revitalizar regiões turísticas e gerar uma receita fiscal previsível e volumosa é simplesmente grande demais para ser ignorado em um contexto de necessidade de crescimento e geração de oportunidades. A sociedade e o Congresso Nacional devem encarar este debate com maturidade, baseando-se em dados concretos e experiências internacionais, e não em preconceitos. O momento é agora de dar o próximo passo e transformar um tabu em um trunfo para a economia brasileira. A bola está com os legisladores, e o país aguarda uma decisão que pode mudar o rumo do nosso desenvolvimento turístico e econômico.